Blog

5 motivos pelos quais Tião Carreiro é o rei da viola

Música
13.05.2015

José Dias Nunes, mais conhecido como Tião Carreiro, é a unanimidade da viola, um mineiro da região de Montes Claros, que viveu pouco, mas deixou uma obra imortal. Filho de uma família simples de lavradores, Tião, nascido em 13 de dezembro de 1934, foi ainda criança para o interior de São Paulo, cresceu em Valparaíso, e começou a carreira nos círculos de Araçatuba. Depois de dar duro na roça e de trabalhar como garçom, resolveu arriscar a carreira artística.

Aprendeu a tocar viola na adolescência, praticamente sozinho, sem nunca ter tido um professor. Em 1950, com apenas 13 anos, Tião Carreiro trabalhava no Circo Giglio, onde começou a cantar em dupla com seu primo Waldomiro.

O dono do circo dizia que “dupla de violeiros tinha que tocar viola” enquanto que na época, Tião tocava violão. No mesmo ano, o mesmo circo apresentava em Araçatuba a dupla Tonico e Tinoco. E enquanto os irmãos estavam no hotel, Tinoco havia deixado sua viola no circo e Tião aproveitou para “decorar a afinação escondido”. Hoje, Tião é referência e cultuado no mundo caipira. Confira por quê:

1- Revolucionou a música caipira

A viola tornou-se sua companheira inseparável. Junto com ela, Tião criou uma nova maneira de tocar e lançou uma obra que entrou para a história.

Em mais de 40 anos de carreira e 56 discos, dividiu o palco com vários parceiros importantes, mas, com outros nomes e um apelido especial. Ele começou como Palmeirinha e Lenço Verde; depois Palmeirinha e  Teitêzinho. Depois de se chamar Palmeirinha mudou o nome para Zezinho e mais pra frente para Mineiro, quando conheceu o compositor Teddy Vieira, o responsável pelo nome artístico Tião Carreiro.  Teddy Vieira também deu a ele o primeiro grande sucesso. Quem não conhece “rei do gado”?

2-Violeiro ainda lança CDs e conquista novos fãs

Tião deve ser um dos poucos músicos brasileiros que, mesmo após mais vinte anos de sua morte, ainda continua a lançar discos. As distribuidoras continuam procurando a família. Pelos cálculos do site do artista mantido pela família, depois de sua morte foram lançados mais de 50 CDs.

Tião Carreiro contou com a participação de parceiros geniais como os compositores Lourival dos Santos, Dino Franco e Jesus Belmiro.

Tião Carreiro e Pardinho viola caipira

Pardinho e Tião Carreiro

3-Inventor do pagode viola

De 1960 a 1976, Tião Carreiro formou uma incrível parceria com Pardinho, uma dupla imbatível que todos queriam ouvir. O sucesso era tão grande que eles lançavam 2 discos por ano.

Ao misturar em sua viola ritmos caipiras, Tião inventou um jeito novo de tocar, a descoberta recebeu o nome de pagode.

O Pagode de viola (também conhecido como pagode caipira ou pagode sertanejo) é uma variante da música sertaneja brasileira, marcada pelo ritmo diferente dado ao modo de tocar juntos o violão e a viola caipira, que incluía um “recortado”.

Junto com Lourival dos Santos compôs “Jangadeiro Cearense”, “Pagode em Brasília”, “A Viola e o Violeiro” e vários outros. Em 1979, Tião Carreiro lançou o LP O criador e o rei do pagode em solo de viola caipira.

O filme tem duração de 90 minutos, colorido, censura  livre,  onde o Tião tem uma ótima performance de ator, mas o que mais destaca sua participação são as músicas que ele canta com o Pardinho.

4- Artista completo

No auge da dupla, Tião Carreiro e Pardinho foram parar nas telas de cinema e não só como músicos, mas também como atores no filme “Sertão em Festa”.  No filme, Simplício, sua esposa Nhá Serena, sua irmã Nhá Barbina e sua filha Luciana, vivem tranquilamente num sitio, no interior.  Arlindo, o filho mais velho, formado em engenharia na capital, chega ao sitio com um corretor de imóveis e vende o sitio do pai por uma verdadeira fortuna, pois as terras possuem um imenso lençol petrolífero.

A imensa fortuna e a transferência para uma enorme mansão na capital provocam uma profunda transformação na vida da pobre família.  Luciana é obrigada a se separar de seu noivo Chico, Simplício de seus amigos, Saracura, o português do armazém, e dos violeiros Tião Carreiro e Pardinho.  Apesar de todo luxo em que vive, a vida na cidade torna-se insuportável para Simplício.  Seus amigos ao saberem disso resolvem ir para a cidade e trazer de volta para o interior a pobre família.  Pronto! A confusão está armada!  Imaginem só este bando de caipiras, acostumados a vida pacata do interior, bem no meio da cidade grande, a capital!  É confusão na certa.

O filme tem duração de 90 minutos, colorido, censura  livre,  onde o Tião tem uma ótima performance de ator, mas o que mais destaca sua participação são as músicas que ele canta com o Pardinho.

 

Embora formassem uma dupla musical perfeita, com uma afinidade invejável, fora do palco os gênios de Tião Carreiro e Pardinho nunca tocaram no mesmo ritmo. Nenhum deles, no entanto, deixava que isso transparecesse para o público.

Em 1976, a dupla se separou. O violeiro descobriu em um jovem músico o seu novo parceiro. O nome dele: Paraíso.

Atendendo a pedidos de milhares de fãs, Tião e Pardinho retomaram a dupla na década de 1980. Depois de uma nova separação, Tião uniu-se aquele que seria o seu último parceiro, o Praiano.

Tião Carreiro e Praiano

 

5- Humildade

Os mais próximos a Tião Carreiro costumam dizer que Tião não sabia o valor que tinha. Era humilde, só queria saber de sua viola.

O rei da viola ficou doente quando ainda estava no auge, sequela nos rins de uma doença silenciosa que ele não sabia que tinha: diabetes.

No dia 15 de outubro de 1993, aos 59 anos, José Dias Nunes morreu em São Paulo. Os fãs sentiram muito, a família sentiu muito mais.  Nair Avanço Dias é a viúva de Tião Carreiro e Alex Marli Dias, sua única filha. Atualmente, elas moram em um bairro da Zona Leste da capital paulista e guardam com muito cuidado os discos e troféus de Tião Carreiro.

 

família Tião Carreira

 

compartilhe o post

Comente Pelo Facebook