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Tudo sobre como funciona a prova Freio de Ouro

Country Life / Mundo Country
17.06.2015

O Freio de Ouro é uma competição anual exclusiva do Cavalo Crioulo, onde podem ser comprovadas as habilidades de cavalo e ginete, reproduzindo nas pistas o trabalho do dia a dia no campo. É um conjunto de provas que testam a doma, a resistência, a docilidade, a aptidão e a coragem, que formam a funcionalidade do cavalo crioulo. O Freio de Ouro é o principal indicador de aperfeiçoamento e seleção da raça Crioula.

O Freio de Ouro divide-se em duas etapas.

Parte 1- Morfologia: avaliação do padrão racial e características como equilíbrio e leveza.

Parte 2- prova funcional: avalia o desempenho do animal em atividades derivadas das lidas do campo. Divide-se em dois momentos.

 Primeiro momento

  • Andadura

Na primeira demonstração, exige-se do cavalo a definição e manutenção de três modos diferentes de andar:

  1. Tranco
  2. Trote
  3. Galope

São observados nessa etapa a tipicidade do andar, a comodidade, o avanço e o equilíbrio.

Pontuação: de zero a 15.

Tranco = de 0 zero 3.

Trote = de zero a 8.

Galope = de zero a 4.

Importante: o trote tem peso maior na pontuação porque é a andadura mais utilizada pelo cavaleiro em um deslocamento longo pelo campo.

  • Figura

Prova de média exigência, desenvolvida em um circuito demarcado por fardos de feno, em que se avalia o equilíbrio nas trocas de mãos e patas, potência de execução e submissão a todas as solicitações do ginete.

Pontuação: de zero a 15.

     3) Volta sobre patas e esbarrada:
a) Volta sobre patas: O ginete leva o cavalo à frente dos jurados, faz o animal girar sobre o próprio corpo 360 graus para um lado e em seguida para o outro. Serão dadas duas voltas sobre patas para ambos os lados. Será penalizado o animal que exceder as duas voltas estipuladas e o que não der o mesmo número de voltas para cada lado. Caso não se complete o número de voltas (2) será zerada a prova.

b) Esbarrada: O ginete acelera o cavalo por uma distância de 20 metros e em seguida solicita ao animal uma freada brusca, fazendo com que ele se apoie sobre os posteriores. O cavalo praticamente “senta” no chão. A seguir, o ginete repete o movimento em sentido contrário. Esta etapa traduz um dos movimentos símbolos do cavalo de trabalho, que é a sua completa submissão ao comando do cavaleiro. O cavalo tem de enfiar corretamente os posteriores entre as mãos e parar sem saltar. Pontuação: de zero a cinco para a volta sobre patas, sendo 2,5 pontos para cada lado que o animal roda. E de zero a dez para a esbarrada, sendo cinco pontos para cada movimento executado.

Pontuação: de zero a 5 para a volta sobre patas, sendo 2,5 pontos para cada lado que o animal roda. E de zero a 10 para a esbarrada, sendo cinco pontos para cada movimento executado.
4) Mangueira:
É o primeiro momento em que o cavalo trabalha com gado. Na mangueira, o animal mostra sua aptidão vaqueira, equilíbrio, impulsão e coragem. Esta prova é tão importante que ocorre duas vezes durante o Freio de Ouro. Divide-se em três momentos:
a) O cavalo tem de apartar (separar) um dos dois novilhos que estão na mangueira.
b) O cavalo tem de manter o novilho afastado do outro bovino por 45 segundos.
c) Retira-se os novilhos e em seguida entra outro onde o cavalo tem de arremeter com o peito, ou “pechar” (do espanhol, el pecho, o peito) contra a lateral do novilho num ângulo de 45 graus, primeiro por um lado e depois pelo outro, e faz o animal recuar. Tem 45 segundos para executar o movimento.

Pontuação: de zero a 15.
Aparte = de zero a 10 / Pechada = de zero a 5 (2,5 pontos para cada execução).


5) Prova de Campo ou Paleteada 1:

Última e decisiva etapa do Primeiro Momento do Freio de Ouro. Observa-se aqui, mais uma vez, a aptidão vaqueira, a velocidade, a força e a total submissão do cavalo ao cavaleiro. Duplas, formadas pelo resultado da pontuação acumulada até o momento (o primeiro com o segundo, o terceiro com o quarto e assim sucessivamente) perseguem um novilho por uma raia de 110 metros de comprimento por 50 metros de largura, com marcações de fardos de feno aos 30 metros, 80 metros e 110 metros. Nos primeiros 30 metros, os ginetes deixam o novilho correr. Entre os 30 metros e os 80 metros, o novilho deve ser “prensado” entre as “paletas” dos dois cavalos, daí a expressão paleteada. Após a ultrapassagem do marco de 80 metros e antes do final da raia, os ginetes adiantam os cavalos em relação ao novilho, cortando-lhe a frente, para que o animal retorne. Na volta, a paleteada se repete, para que o novilho seja reconduzido à mangueira.

freio de ouro

Pontuação: de zero a 15.

Importante: Até este momento, as notas que aparecem nas placas são multiplicadas por 1,5. A seguir, é feita a soma de todas as notas obtidas e o resultado é dividido pelo número de provas executadas e somado com a pontuação da morfologia. O resultado credencia de 40% a 50% dos ginetes e seus cavalos para o segundo momento do Freio de Ouro.

Segundo momento

6) Mangueira:
A prova é uma repetição dos movimentos executados no primeiro momento. Pontuação: de zero a 20

7) Bayard-Sarmento:
Prova em que se exige velocidade na execução, correção nos movimentos e atenção à submissão. É realizada em uma raia de 80 metros. O cavalo arranca em velocidade, percorre 40 metros, esbarra, faz a volta sobre patas para um lado e para outro de uma a três vezes, volta a correr 40 metros, esbarra novamente. Depois gira 180 graus, corre mais 40 metros novamente. Faz a volta sobre patas para ambos os lados, corre mais 40 metros e faz a última esbarrada.
Tudo igual a primeira. Pontuação: de zero a 20

Importante: As notas que aparecem nas placas deste segundo momento do Freio de Ouro são multiplicadas por dois e somadas. A soma é dividida pelo número de provas executadas até o momento e o resultado é somado com a pontuação da morfologia. Chega-se, assim, ao resultado final da prova do Freio de Ouro.

A prova Freio de Ouro é realizada em 03 (três) certames:

I – As Provas Credenciadoras
II – As Provas Classificatórias
III – A Final do Freio de Ouro

Cada Credenciadora habilita os quatro (04) machos e quatro (04) fêmeas mais pontuados para a fase Classificatória.

Cada Classificatória, por sua vez, habilita os quatro (4) machos e quatro (4) fêmeas mais pontuados, com dois (2) reservas por sexo, à Final do Freio de Ouro, desde que atinjam média final de dezoito (18) pontos.

Na Fase Final, serão realizadas três provas, obrigatoriamente na seguinte ordem: Mangueira II, Bayard-Sarmento e Campo II. Passarão à Fase Final 12 machos e 12 fêmeas; nas demais Classificatórias, 10 machos e 10 fêmeas; e na Final do Freio de Ouro, 14 machos e 14 fêmeas.

Conheça algumas gírias entre os criolistas:

Afixo: Sigla ou nome, antes ou depois do nome do cavalo, que identifica a cabanha ou o criador do animal

Andadura: tipo de andar do animal. Tranco, trote ou galope

Aporreado: cavalo que não aceita doma

Baio: cavalo de pelo amarelo

Bayard-Sarmento: movimento composto de giros de 180 graus sobre o corpo e esbarradas que compões a sétima etapa das provas do Freio de Ouro. O nome é uma homenagem aos idealizadores da prova.

Box: número de inscrição do animal nas provas do Freio de Ouro, estabelecido por ordem cronológica. Exemplo: o Box número 1 é do animal mais jovem no certame

Caborteiro: cavalo de manuseio difícil, insubmisso

Colorado: cavalo de pelagem castanho-clara, quase avermelhada

Esbarrada: movimento da terceira e da sétima etapas das provas Freio de Ouro, que consiste em fazer o animal frear depois de uma breve corrida, apoiando-se nos posteriores

Figura: segunda etapa da Prova Freio de Ouro, em que o animal contorna fardos de fenos distribuídos pela raia

Funcionalidade: habilidade funcional do cavalo para a execução de provas

Galope: andadura veloz em que o cavalo se utiliza apenas de dois apoios

Gateado: cavalo de pelo amarelo mais escuro que o baio, da cor do pelo do leão

Ginete: cavaleiro

Giro sobre patas: movimento da terceira e da sétima etapas das provas Freio de Ouro em que o animal gira 360 graus sobre o próprio corpo, apoiado em um dos posteriores, que atua como a ponta seca de um compasso.

Mangueira: curral

Mouro: cavalo de pelo negro com infiltração de branco

Pechar: arremeter com o peito do cavalo sobre o novilho. Do espanhol el pecho, peito

Picaço: cavalo de pelo negro com mancha branca na testa e nas três extremidades em tom branco

Redomão: cavalo jovem, entre o potro xucro e o cavalo já domado

Rosilho: cavalo de pelagem escura com infiltração de tons claros

Sestroso: cavalo que manifesta medo ou repulsa por algo

Tordilho: cavalo de pelagem branca

Tranco: primeira andadura, antes do trote, em que cavalo caminha com três apoios

Trote: andadura saltada, que vem imediatamente após o tranco, quando o cavalo se utiliza de apenas dois apoios

Zaino: cavalo de pelagem castanho-escura, de cor imediatamente anterior ao preto

 

Com informações da ABCCC – Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos

 

 

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