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Cavaleiro das Américas revela novidades e planos para o futuro

Mundo Country
25.08.2017

Quando todos duvidavam dos seus sonhos, o cavaleiro das Américas provou que tudo é possível. Filipe Masetti Leite conquistou milhares de fãs quando realizou a viagem da sua vida. Partindo de Calgary, no Canadá, até Barretos, a capital do rodeio. Filipe percorreu 16.000 quilômetros à cavalo.

Foram 775 dias e dez países. História que virou enredo de livro. Filipe é jornalista e registrou toda a viagem em um documentário internacional. Agora a trajetória de sua vida também chega às livrarias de todo o Brasil e já está na lista entre os mais vendidos de não-ficção da Veja. 

 

No lançamento do livro, “O cavaleiro das Américas”, Filipe chegou à cavalo na livraria. Em Barretos distribuiu centenas de autógrafos. O próximo desafio dele é vender cada vez mais livros. As expedições vão ter que esperar mais um pouco, já que o cavaleiro está preparando sua última viagem especial.

Confira a entrevista exclusiva com o cavaleiro das Américas

Quando começou sua relação com os cavalos e o mundo country?

Minha relação com os cavalos começou antes de eu nascer. Meu pai me deu o nome de Filipe, que significa amigo dos cavalos. Antes de poder andar eu já estava com ele em cima de uma sela. Meu pai laçava, montava em boi, fazia apartação. Ele é apaixonado por esse mundo, então eu cresci no meio dos cavalos. Eu fui para o Canadá com nove anos de idade, aprendi a laçar bezerro, fazia parte do time da Wrangler. Fiz parte do time de laço de bezerro por dois anos durante o colegial.

Você conta em várias entrevistas que o sonho de fazer sua expedição surgiu por causa das histórias que seu pai contava, certo? Que histórias eram essas?

Quando eu era pequeno meu pai lia o livro do Aimé Tschifelly para mim. É um suíço que viajou desde Buenos Aires até Nova Iorque à cavalo em 1925 e foi esse livro que inspirou esse sonho. Eu passei a minha vida inteira imaginando como seria viajar à cavalo pelas Américas

Agora com o lançamento do seu livro, “O cavaleiro das Américas”, você se tornou um desses exploradores, você espera ser inspiração para os jovens cavaleiros?

Claro, uma das razões para eu fazer essa viagem é levar a bandeira desse nosso mundo do cavalo, ajudar a inspirar novas crianças a subir em cima de uma sela. Se mais crianças tivessem a oportunidade de aprender com esses animais maravilhosos o mundo seria muito melhor. Também quero inspirar qualquer pessoa que tenha um sonho, seja ele qual for, ser médico, veterinário ou dar a volta ao mundo de camelo. Quero inspirar as pessoas a seguirem seus sonhos.

cavaleiro das Américas

Quando você chegou no Brasil em 2014, foi recebido com muito carinho em Barretos, onde fizeram até uma estátua para você. Como é saber que tanta gente te admira?

Para mim é surreal. Eu ainda não acredito que fizeram estátua pra mim. Tem em Barretos e em Londrina, que eu nem conheço ainda. Esse amor que eu recebo do povo sertanejo é uma coisa fora do normal. Eu vejo nos olhos das pessoas o carinho que elas têm por mim. Isso que me motiva a continuar, é inspirador, eu acho isso maravilhoso. Para mim é uma coisa tão normal que eu faço, não me acho merecedor de tudo isso, às vezes eu fico até sem graça.

Como você se preparou para essa jornada?

Eu perdi peso, o máximo possível e fiz bastante academia. Mas o mais importante foi fazer um estudo de dois anos, falando com cavaleiros de longa distância do mundo todo, do Brasil, da Alemanha, do Canadá, para aprender como fazer uma viagem sem maltratar os animais. É completamente diferente fazer prova equestre do que pegar um cavalo e andar muitos quilômetros por dia, por tanto tempo. Foi muito importante pra mim fazer esse estudo. Eu aprendi muito com eles, muitas lições.

cavaleiro das Américas

Você passou por vários lugares, com culturas e ambientes diferentes, qual foi o momento mais difícil? E o mais emocionante?

O momento mais difícil, não só das viagens mas da minha vida, foi na última travessia, para o fim do mundo na Patagônia, onde eu perdi um dos meus cavalos, o Sapito, a 100 quilômetros do final. Faltavam cinco dias e ele teve uma intoxicação. A gente não sabe o que aconteceu com a alfafa que ele comeu. De manhã ele tava mal, a gente fez o possível e o impossível.

Eu passei a noite inteira com ele em baixo de neve, achei que eu ia congelar. Eu nunca vi um ser lutar tanto pela sua vida. Quando ele morreu achei que não ia continuar. Eu trato meus cavalos como filhos. Depois de refletir muito e conversar com Deus e com minha família eu percebi que tinha que continuar a viagem em honra do Sapito, pois ele lutou muito.

O mais emocionante certamente foi entrar na festa do peão de Barretos em 2014, com 40 mil pessoas chorando comigo. Era um sonho entrar na maior arena de rodeio do mundo, é o sonho de todo cowboy.

O que os fãs que vão ler o seu livro, “O Cavaleiro das Américas”, podem esperar da sua história?

Vão ver muitas aventuras, teve urso pardo, narcotraficante, tiroteio, montanhas gigantes e rios que tive que atravessar, desertos, florestas, de tudo um pouco e graças à Deus eu cheguei vivo. As pessoas vão poder aprender com a minha garra, perseverança e foco, que tudo é possível. Eu quero inspirar as pessoas e eu acho que é um livro que não dá para parar de ler. É muita aventura em 16.000 quilômetros e um relacionamento lindo com meus animais. Eles acabam sendo os heróis e protagonistas dessa história.

Depois de sua grande jornada da América você saiu em uma segunda expedição, certo? Como foi a viagem do cavaleiro das Américas até o fim do mundo?

Foi a metade da primeira, um ano e três meses na estrada. Mas foi muito mais difícil que a primeira. Eu passei seis meses na Patagônia que é um lugar maravilhoso mas é terrível para atravessar com os cavalos. São muitos quilômetros sem nenhuma cidade, enfrentei ventos, neve, temperatura de  -16º, foi muito difícil mesmo.

Como você se envolveu com o Hospital do Câncer de Barretos?

Quando eu cheguei da primeira vez o pessoal me perguntava qual seria a próxima viagem. Eu falava “cês tão louco? Nunca mais eu viajo à cavalo”  mas aí Os Independentes me levaram para conhecer o Hospital do Câncer de Barretos Infantil. E quando eu entrei lá mudou minha vida. Eu saí de lá impressionado, extremamente orgulhoso de ser brasileiro, e pensando no que eu podia fazer para ajudar esse hospital do bem.

Daí veio a ideia de fazer uma segunda cavalgada arrecadando fundos e levando a importância do diagnóstico precoce do câncer infantil. Eu estou sempre na casa das pessoas e posso conversar com elas e alertar, podendo salvar vidas. Por isso que eu fiz essa viagem e fui falando com rádios e televisões sobre a importância desse diagnóstico.

E quais são os próximos planos do cavaleiro das Américas, tem alguma outra viagem em mente?

Agora eu quero vender o livro, fazer bastante palestras e contar essa história. Eu vou escrever outro livro sobre a segunda viagem da jornada até o fim do mundo. E em 2019 vou fazer minha última viagem, minha última aventura. Eu vou sair do Alasca e cavalgar até Calgary, no Canadá, onde tudo começou há quase 10 anos, eu vou terminar onde comecei.

Faça como o cavaleiro das Américas e nunca desista dos seus sonhos. Conte pra gente nos comentários qual é o seu grande sonho e o que achou da história inspiradora de Filipe Masetti!

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