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Cavalo mangalarga marchador: a raça mais brasileira de todas

Mundo Country
24.07.2015

Os primeiros cavalos chegaram ao Brasil na época do descobrimento, mas só por volta de 1800 alguns animais de elite começaram a ser enviados para cá. A partir daí, deu-se início a formação do cavalo Mangalarga Marchador.

O Margalarga deveria ser chamado de cavalo Junqueira, mas acabou ganhando o nome Mangalarga. Uma história que começou em 1750 quando João Francisco Junqueira conseguiu com a coroa uma imensa faixa de terra na região do Sul de Minas Gerais, em Cruzilia, para plantar, criar gado e cavalos.

História do mangalarga marchador

No início da colonização, como não havia cavalos na América, os colonizadores foram trazendo tropas da Europa. Os espanhóis espalharam cavalos onde fica hoje a região da Argentina, Uruguai e Sul do Brasil e os portugueses levaram para São Paulo, Rio de Janeiro e todo o Nordeste. Esses animais foram se intercruzando, de modo que em meados do século XVIII já era intenso o comércio de tropas no país. O que Junqueira fez foi aprimorar o negócio contando com tropas marchadoras já selecionadas. Na região de Cruzilia restam ainda muito criatórios, são mais de 200 em um raio de 100 km.

O Mangalarga Marchador teve como berço a fazenda Campo Alegre, no Sul de Minas. Ela pertencia a Gabriel Francisco Junqueira, o Barão de Alfenas, a quem é atribuída a responsabilidade pela formação da raça. Na versão mais divulgada da formação dos mangalargas, o barão ganhou do Imperador um imponente garanhão da raça Alter, mesma que D. João VI tinha trazido quando montou a primeira coudelaria (termo português de Portugal para definir um centro equestre que não somente cria cavalos, como também os treinam, são os haras) no Rio de Janeiro.

Cavalos mangalarga história

A fazenda do Barão era uma herança de seu pai João Francisco Junqueira. Outro fazendeiro importante na história do Mangalarga Marchador foi José Frausino Junqueira, sobrinho de Gabriel Junqueira. Exímio caçador de veados, José Frausino aprendeu a valorizar os cavalos marchadores por serem resistentes e ágeis para transportá-lo em suas longas jornadas.

O cavalo marchador brasileiro é filho de um imigrante português, que saiu da coudelaria Alter do Chão, a 200 km de Lisboa, e transformou o animal mestiço brasileiro em um animal nobre e de andar suave.

O Alter real não é considerado uma raça isolada, mas uma das principais linhas genéticas do cavalo lusitano, uma das características principais é a docilidade. A raça é usada principalmente em provas de adestramento.

O Alter Real a principio não tem marcha, este trabalho foi feito no Brasil. Com o sangue do Alter, as raças do sul de Minas ganharam porte, altivez e elegância, mas mantiveram a marcha, caracterizando assim uma nova raça que foi usada na cavalaria imperial brasileira.

Cavalo mangalarga

E por que ficou o nome Mangalarga Marchador?

Há várias versões, entre as mais citadas:

  • Diz respeito a uma fazenda denominada Mangalarga, localizada em Pati do Alferes, no Rio de Janeiro. O nome da fazenda era o mesmo de uma serra que existia na região. Seu proprietário era um rico fazendeiro que, impressionado com os cavalos da família Junqueira, adquiriu alguns exemplares para os passeios elegantes realizados no Rio de Janeiro. Quando alguém se interessava pelos animais, ele indicava as fazendas do Sul de Minas. As pessoas procuravam os fazendeiros perguntando pelos cavalos da fazenda Mangalarga e esta referência se transformou em nome. Já o nome Marchador foi acrescentado pelo fato de alguns daqueles cavalos terem a função de marchar em vez de trotar.
  • Diz respeito a um cavalo do Imperador que teria sido o pai desta raça e se chamava Mangalarga
  • A terceira versão diz respeito à forma do cavalo movimentar as mãos (as patas) dianteiras, como se estivesse vestindo mangas largas.

A marcha é o diferencial do Mangalarga, que é diferente dos outros animais marchadores. A marcha, que é o passo acelerado, se caracteriza por transportar o cavaleiro de maneira cômoda, pois não transmite os impactos ocorridos com os animais de trote.

Durante a marcha, o Mangalarga Marchador descreve no ar um semicírculo com os membros anteriores e usa os posteriores como uma alavanca para ter impulso. Marchando, ele alterna os apoios nos sentidos diagonal e lateral, sempre suavizados por um tempo intermediário, o tríplice apoio, momento em que três membros do Mangalarga Marchador tocam o solo ao mesmo tempo.

A fácil atuação do Mangalarga Marchador frente a obstáculos naturais demonstra sua aptidão nata para o trabalho e esportes em geral. No enduro, os animais da raça têm valorização crescente pela comodidade da marcha, que garante conforto ao cavaleiro, e pela resistência para percorrer longas distâncias.

competição mangalarga marchador

A Exposição Nacional, a mais importante mostra do Marchador, é realizada desde 1982 pela Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM), no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte, e reúne representantes de todos os Estados. Os cerca de 300 expositores levam à pista mais de 700 animais, todos credenciados anualmente com os títulos de Campeão ou Reservado Campeão nas exposições oficializadas pela entidade em todo o país.

Associações

Em 1934 foi fundada a Associação Brasileira de Criadores de Cavalo da Raça Mangalarga (ABCCRM). Anteriormente, houve uma notável migração de parte da família Junqueira para São Paulo. Chegando em novo solo, com topografia, cultura e caça diferentes, os cavalos tiveram que se adaptar a uma nova topografia e necessidades, por isto foi mais valorizada a marcha trotada que tem apoios bipedal, pois os animais de tríplice apoio, apesar de serem mais cômodos, não conseguiam acompanhar o ritmo alucinante das caçadas e a lida com gado em campo aberto.

Devido à inevitável diferença entre os criadores de Mangalarga de São Paulo e de Minas, foi fundada em 1949 uma nova Associação, a ABCCMM. Esta Associação teve origem a partir de uma dissidência de criadores que não concordavam com os preceitos estabelecidos pela ABCCRM e teve como objetivo principal a manutenção da marcha tríplice apoiada.

Mangalarga Marchador no Guinness Book

A condição de ser um animal resistente, dócil e cômodo e com regularidade permitiu ao Mangalarga Marchador entrar para o Guinness Book, o Livro dos Recordes. Entre maio de 1991 e julho de 1993, três cavaleiros – Jorge Dias Aguiar, 64 anos, Pedro Luiz Dias Aguiar, 60 anos, e o capataz de Pedro, José Reis, 65 anos – e seis animais da raça fizeram uma cavalgada durante aqueles dois anos, entre os pontos mais distantes do Brasil, Chuí, no Rio Grande do Sul, e Oiapoque, no Amapá, pelo projeto “Brasil 14 mil”. Com o retorno a São Paulo, percorreram 19.300 quilômetros. Uma das maiores estratégias de marketing feitas com a raça, o projeto acabou transformando-se na “Cavalgada Mercosul – Projeto Brasil 14 mil”, com a inclusão da Argentina e Paraguai, totalizando 25.104 quilômetros.

Características

– Temperamento dócil

– Capacidade de percorrer longas distâncias

– Adestramento fácil e rápido

– Pode ser criado somente em regime de pasto diminuindo os custos de manutenção

Morfologia

– Cabeça triangular e pescoço piramidal

– Tronco forte com costelas bem arqueadas

– Nos membros os tendões são vigorosos e bem delineados

– Altura mínima de 1,47 e máxima de 1,57, sendo 1,52 a altura ideal

 

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Com informações de Globo Rural

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