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Dança Catira, a tradição sertaneja

Mundo Country
08.03.2016

Ao som de uma moda de viola, os integrantes vão ocupando espaço e produzindo ritmos com os pés e as mãos. Uma coreografia ensaiada e ritmada são características dessa incrível dança tipicamente folclórica. Ela sofreu influências indígenas, africanas e europeias. Hoje, está presente em diversas regiões do país e até possui festivais especiais para ela, trata-se da Catira.

A catira é um dança chamativa por exigir vigor e sincronicidade dos dançarinos.  A concentração e disciplina são alguns dos requisitos que os participantes precisam ter na hora da apresentação. Além dos dez integrantes, é necessária uma dupla de violeiros para dar ritmo e andamento à dança. Duas fileiras são colocadas uma oposta a outra, como se fossem pares. Para começar a dança, o violeiro precisa puxar o rasqueado com uma moda de viola, assim inicia-se o ritmar dos pés e mãos, chamado ”escova”. Prossegue a música com um estilo narrativo, sem tema específico, podendo falar sobre a vida ou algum problema da região. É necessário uma pausa entre a cantoria para puxar novamente o rasqueado e assim iniciar, novamente, o sapateado e o bater das mãos. A dança só acaba ao final do “recortado”, que é o momento em que os dançarinos vão trocando de lugar a cada estrofe da moda de viola. Ela só finaliza no momento em que todos os participantes voltam para seu posto inicial.

Foto: site de Uberaba-MG

Foto: site de Uberaba-MG

A Catira é uma dança proveniente do CentroOeste, e também ficou conhecida como Cateretê. Na era colonial foi bastante utilizada como agradecimento ao santo de devoção da boa colheita. Muitos estudiosos garantem que essa dança foi muito incentivada  pelo Padre José Anchieta, entre os anos de 1530 e 1597. A atração era incluída nas festas de São Gonçalo, São João e Nossa Senhora da Conceição, o que ocasionava uma  melhor interação entre os  portugueses e os indígenas.

Foto: site Catira no Brasil

Foto: site Catira no Brasil

As mulheres inseridas na Catira

Originalmente, a dança surgiu apenas com participação masculina. Porém, com o tempo as mulheres passaram a fazer parte da Catira, trazendo ainda mais beleza e toque de feminilidade para a atração. Em Silvania/GO, existe um grupo de jovens mulheres que fazem incríveis participações na cidade e por todo o país, são chamadas de ‘As Consideradas’.

De acordo com o responsável e fundador do grupo, Eder Mendes, a sua formação ocorreu em 2014. As jovens garotas sentiram necessidade de criar um grupo apenas para elas, pois nas festas, promovidas no meio rural, apenas os homens apresentavam a dança. Eder conta que dava aula de Catira na escola e algumas meninas se reuniram para formar o grupo, que até hoje se apresenta no Brasil inteiro. As apresentações ocorrem apenas no período das férias, finais de semana ou feriados, pois as integrantes são estudantes do Ensino Médio e Graduação. Entre os grupos de violeiros que se apresentam junto das mulheres estão as duplas da região, como João Regis e Renan, Galvan e Galvãozinho e Zé Mulato e Cassiano.

Além desses grupos, Eder refere-se orgulhoso aos grupos “Os Considerados” e “Sangue Novo”.O primeiro é composto apenas de homens, que inclusive estarão no dia 01 de abril de 2016 na cidade de Cuiabá-MT. Já o grupo “Sangue Novo” é composto apenas por crianças, uma oportunidade que Eder encontrou para plantar uma semente da cultura sertaneja nas próximas gerações.

Foto: site Carina no Brasil

Foto: site Catira no Brasil

Os catireiros, como conhecidos, usam sempre camisa, calça jeans e botas.  Como acessórios complementares estão o lenço e o chapéu de aba larga, lembrando os boiadeiros da época. Estudiosos garantem que em muitos locais do país a dança era ritmada com os pés descalços, sempre buscando ”pisar nas cordas da viola”, termo utilizado para designar sua sincronia junto a batida do violeiro.

Por ser uma dança popular, a Catira não tem técnicas específicas, sendo passada de pai para filho ou através da comunidade. É a técnica constante de observação e repetição que sucede em uma bela apresentação ritmada e sincrônica. A coreografia dessa dança não tem tantas variações de acordo com os Estados, garantindo a permanência das antigas culturas para a atualidade. Hoje, ela é o retrato dos costumes sertanejos no país, a dança que é a poesia do sertão.

O Site Catira no Brasil traz alguns grupos de Catira em várias regiões do país.

Foto destaque: Catira no Brasil

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