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O que Tarciana Alencar, paratleta de três tambores, te ensina sobre superação

Country Life / Esporte
30.09.2016

Quando todos achavam que era impossível, Tarciana Silva de Alencar, de apenas 16 anos, venceu não só os obstáculos de uma prova de três tambores mas de uma doença severa. Ela morava em Mâncio Lima, uma cidade do interior do Acre, na divisa com o Peru. Levava uma vida de adolescente comum. Praticava esportes e ajudava o seu pai a cuidar de algumas cabeças de gado que tinha em casa. Mas foi aos 12 anos que descobriu algo que mudaria a sua vida.

Tarciana jogava futebol e estava treinando para uma competição escolar, quando quebrou a perna. “Mal começamos a jogar, quando fui levantar minha perna para tocar na bola e meu fêmur simplesmente quebrou, nada comum para uma menina de 12 anos quebrar um osso sem fazer nenhum esforço” ela conta.

Ela foi levada até uma cidade vizinha onde fez uma cirurgia. Mas as dores não pararam,”passei 3 meses com dores sem ninguém descobrir nada, então veio um médico da capital e analisou meus exames e falou pra minha família que eu tinha um tumor muito agressivo”.

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O médico recomendou que ela fosse para Barretos. Quando chegou lá, em Julho de 2013, o tumor já havia se espalhado por toda a sua perna. “Após 4 dias que cheguei, já foi feita a amputação. Antes mesmo de começar uma quimioterapia, pois estava sem jeito de reconstrução”, lembra.  Depois de 20 dias da operação ela deu início ao tratamento com quimioterapia agressiva. O processo durou 9 meses, e durante esse período, ela foi diagnosticada com 8 nódulos no pulmão. “Fiz uma cirurgia na lateral das costas, foram tirados os nódulos. Não era câncer, pelo menos se era a quimio tinha matado”

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Quando estava quase terminando o tratamento ela foi surpreendida mais uma vez com um nódulo no pulmão. Tarciana fez mais uma cirurgia. Dessa vez o nódulo era maligno e mais 6 ciclos de quimioterapia foram acrescentadas ao tratamento. “Acabou em outubro de 2015. Desde então tá tudo bem. Vou ao hospital de 3 em 3 meses. Só para acompanhamento e exames de rotina”.

Como os cavalos ajudaram na superação de Tarciana

Barretos é mundialmente conhecida por dois motivos, o hospital do câncer e os rodeios. Há três anos morando na cidade, Tarciana se tornou uma das primeiras atletas paralímpicas de três tambores.

Você disse que já tinha contato com fazenda, mas estar em Barretos foi importante para você se interessar por esse mundo de esportes country? Como você começou a gostar dos cavalos?

Tarciana: Eu já tinha contato com fazenda e sempre amei cavalos, mas nunca tive a oportunidade de ter um, ou montar. Aqui em Barretos que as portas se abriram. Foi aqui que uma voluntária do hospital, a Carolina Vilela, me apresentou ao esporte três tambores.

Ela me mostrou alguns vídeos, e eu me apaixonei logo de cara. Ai surgiu o convite de ir treinar com ela em Ribeirão. Por conta de ser longe para ir toda semana treinar, nós não conseguimos.

Como começou a treinar?

Tarciana:Uma amiga da Carol, daqui de Barretos, falou que ia me treinar. Eu treino na égua dela, a Flicka, no haras. Ela ainda faz o possível pra me levar nos lugares das competições para eu assistir. Sempre me acompanha. Hoje é minha parceirona, ela é minha treinadora Monique Vinagre.

Como foi para você começar o esporte?

Tarciana: Uma realização! Nem acreditei que poderia montar utilizando uma prótese. Eu estava quebrando a maioria dos tabus impostos pelas pessoas, que eu não iria conseguir. E para te falar, eu também estava super empolgada. Queria começar já, igual a Fatiana correndo.

Eu percebi que eu teria que me dedicar e treinar muito para conseguir me aperfeiçoar. E agora, sei que não era tão fácil quanto imaginava e quanto as pessoas de fora acham. Hoje faz parte de mim. Sabe, não consigo ficar sem treinar. Preciso ao menos ir ver a Flicka, se não for correr.

Qual a importância desses animais e do esporte na sua história de vida e na sua recuperação? Ajudou na sua superação?

Tarciana: Com toda certeza! Nossa parceria é a prova do tanto que um cavalo pode ajudar alguém, apenas sendo ele mesmo. Eu sempre falo que o cavalo são as minhas pernas, o que eu não consigo fazer andando eu consigo em cima dele.

Ela me ajuda a vencer obstáculos que eu nem imaginaria conseguir. É lá que eu me sinto bem. Mais do que qualquer outra pessoa, eu sei o motivo pelo qual eu treino. Não estou lá pra mostrar pra ninguém, eu estou lá pra me superar a cada dia. As apresentações, o reconhecimento são consequência da minha paixão.

Você já competiu nos três tambores? Como foi?

Tarciana: Minha primeira competição foi no lançamento da nossa categoria, dá pra acreditar? Quando eu comecei jamais imaginei que ia um dia ter uma categoria paratleta. Mas isso mudou gracas a ABQM que lançou nossa categoria.

É uma sensação de liberdade E de poder passar uma mensagem bonita pra outras pessoas. Na minha primeira competição ganhei em primeiro lugar. No lançamento da minha categoria, quer mais ?!! Imagina só! Felicidade em todos os aspectos.

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Você vence obstáculos na vida e nas provas, quais são as maiores dificuldades no esporte?

Tarciana: Hoje em dia já estou super adaptada. Mas a questão do contato da prótese com minha virilha se torna um pouco incômodo, e o equilíbrio, por não ficar tão firme o pé da prótese no estribo.

Mas fora isso é super normal. Rotina normal de uma atleta de três tambores, minha treinadora não dar mole pra mim não.

Como é o apoio da sua família? Em algum momento vocês tiveram algum receio, por ser um esporte que poderia ter algum perigo?

Tarciana: Meus pais sempre me apoiaram, por que eles viram que me faz bem.  Mas medo eles sempre tem, por isso evito levar minha mãe nos treinos, se eu levar ela acaba não deixando eu correr.

Se você ver o vídeo da competição em Avaré, minha irmã que estava gravando, junta minha mãe meu pai e minha irmã e ficam gritando. ” Não corre muito menina “. Acho q eles ainda não entenderam q é uma prova de velocidade.

 

Como você  imagina a Tarciana do futuro, quais são seus sonhos?

Tarciana: Me imagino fazendo o que amo, sempre indo nas competições, e andando a cavalo sempre. E com certeza ter evoluído muito como atleta.

E ter concluído minha meta de cantora profissional, que é outro sonho que estou correndo atrás, e se Deus quiser vou conseguir. Sabe aquela música que a Paula Fernandes leva um cavalo pro palco e monta nele. Canta a música montada ?! Pretendo fazer algo parecido juntando as minhas duas maiores paixões, cavalo e música.

 

Sua mensagem

A história de Tarciana mostra que mesmo nos momentos mais difíceis a paixão por algo é uma motivação. Enquanto muitos poderiam pensar em desistir, a jovem se tornou uma grande atleta. e ainda deixa uma mensagem de motivação ” quando a gente faz o que ama, não importa as dificuldades, com certeza vai dar certo, pois o principal já está em você. Nunca deixe ninguém falar do que você é capaz, isso se chama rótulo e eles estão aí exatamente para serem quebrados. Não desista jamais. Se cair, levanta e tenta de novo uma hora vai dar certo ”

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Foto de destaque: Beta Ferrão

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