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Vaquejada: paixão nordestina que atrai multidões

Esporte
23.04.2015

A vaquejada é a festa mais tradicional do ciclo do gado nordestino, uma atração que lota arquibancadas, atrai multidões, distribui milhares de reais em prêmios e movimenta a economia em muitas regiões onde é praticada. Dos resultados da vaquejada, muitas famílias tiram o sustento, uma verdadeira paixão que se espalhou por todo o Nordeste e Estados próximos.

Na Vaquejada, dois vaqueiros a cavalo têm de perseguir o animal (boi) até emparelhá-lo entre os cavalos e conduzi-lo ao objetivo (duas últimas faixas de cal do parque de vaquejada), onde o animal deve ser derrubado.

De início, a vaquejada marcava apenas o encerramento festivo de uma etapa de trabalho. Reunir o gado, ferrá-lo, castrá-lo e depois conduzi-lo para a “invernada” onde ainda existissem pastos verdes – esse era o trabalho essencial dos vaqueiros. Os coronéis e senhores de engenho, após perceberem que a vaquejada poderia ser um passatempo para as suas mulheres, e seus filhos, tornaram a festa um novo esporte.
vaquejada
HISTÓRIA

A história da vaquejada teve início a partir da introdução da pecuária no Brasil em 1532. A família Garcia D´avila, da Casa da Torre, na Bahia, é uma das pioneiras no desenvolvimento de fazendas em todo o Nordeste, seguindo a margem do Rio São Francisco. Na formação das fazendas, os vaqueiros tomavam conta das terras e do gado.

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Por volta de 1700, o alemão Henry Koster já falava no seu livro “Viagens ao Nordeste do Brasil”, da presença de um vaqueiro, encourado com uma armadura, chapéu de couro,  perneira, peitoral e um cavalo. Ele fazia a vigilância da região em que eram criados os animais.

Na época dos coronéis, quando não havia cercas no sertão nordestino, os animais eram marcados e soltos na mata. Depois de alguns meses, os coronéis reuniam os vaqueiros para juntar o gado marcado. Eram as pegas de gado. Montados em seus cavalos, vestidos com gibões de couro, os vaqueiros se embrenhavam na mata cerrada em busca dos bois, fazendo malabarismos para escaparem dos arranhões de espinhos e pontas de galhos secos. Alguns animais se reproduziam no mato. Os filhotes eram selvagens por nunca terem mantido contato com seres humanos, e eram esses animais os mais difíceis de serem capturados. Mesmo assim, os vaqueiros os perseguiam, laçavam e traziam os bois aos pés do coronel. Nessa luta, alguns desses homens se destacavam por sua valentia e habilidade, e foi daí que surgiu a ideia da realização de disputas.

vaqueiro

Sem registros precisos de datas, sabe-se apenas que em meados de 1940 os vaqueiros de várias partes do nordeste começaram a tornar público suas habilidades.

Os coronéis e senhores de engenho passaram a organizar torneios de vaquejadas, onde os participantes eram os vaqueiros, e os patrões faziam apostas entre si, mas ainda não existiam premiações para os campeões. Os coronéis davam apenas um “agrado” para os vaqueiros que venciam. A festa se tornou um bom passatempo para os patrões, suas mulheres e seus filhos.

Após alguns anos, pequenos fazendeiros de várias partes do nordeste começaram a promover um novo tipo de vaquejada, onde os vaqueiros tinham que pagar uma quantia em dinheiro, para ter direito a participar da disputa. O dinheiro era usado para a organização do evento e para premiar os vencedores.

As montarias, que eram formadas basicamente por cavalos nativos daquela região, foram sendo substituídas por animais de melhor linhagem.  A vaquejada como conhecemos hoje é dominada pelos cavalos Quarto de Milha, mais uma vez graças a sua versatilidade, velocidade e força.

Regras da vaquejada

As disputas são entre várias duplas, que montadas em seus cavalos perseguem pela pista e tentam derrubar o boi na faixa apropriada para a queda, com dez metros de largura, desenhada na areia da pista com cal. Cada vaqueiro tem uma função: um é o batedor de esteira, o outro é o puxador.

O Batedor de Esteira

É o encarregado de “tanger” o boi para perto do derrubador no momento da disparada dos animais e pegar o rabo do boi e imediatamente passar para o colega, além de empurrar com as pernas do seu cavalo, o boi para dentro da faixa, caso o boi tente levantar-se fora da faixa.

O Puxador

É o encarregado de puxar o rabo do boi e de derrubá-lo dentro da faixa apropriada, e também quem faz quase todo o trabalho, não desmerecendo o esteira.

O Juiz

O juiz serve como árbitro na disputa entre as duplas e deve ficar ao alto da faixa onde o boi será derrubado. Ao boi cair na pista, dependendo do local, pontos são somados ou não a dupla.

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Se o boi for derrubado dentro da faixa apropriada para esse fim, com as quatro patas para o ar, ele grita para o público: “Valeu Boi”, então, somam-se pontos à dupla, se isso não acontecer, ele fala: “Zero”, a dupla não consegue somar pontos. E ganha aquele que tiver mais ponto somado, e aí é só festejar mais uma vitória.

Fivela Vaquejada

Fivela Vaquejada

Algumas palavras tiradas dos peões de VAQUEJADA no Nordeste:

Peitoral – É a faixa de couro para proteger o peito do animal de possíveis acidentes na pista.
Véstia ou gibão – Espécie de casaco que o vaqueiro veste sobre a camisa.
Guarda Peito – Tem a finalidade de proteger o tórax do vaqueiro. É ligado por correias ou tiras em forma de X, por trás dos ombros.
Perneiras ou guardas – O vaqueiro veste para proteger-se até a cintura contra espinhos ou
outros riscos em sua ação na pista.
Boi riscado – Quando o boi para bruscamente.
Mandioqueiro ou Jacu – Vaqueiro iniciante.
Afundar a mão – O vaqueiro impulsiona mão para baixo no momento em que se prepara para
derrubar o boi.
Sair do boi – Cavalo bom que muda de direção na hora da derrubada.
Queimado – O boi que cai tocando a marca de cal nos 10 metros.
Boi chiado – Boi de fora para dentro da faixa.
Afrouxar – Abrir a mão na hora da derrubada.
Abrir a tampa – Soltar o boi.
Rabo da Gata – Vaqueiro chamado e não comparecido, ficando, então, para correr no último
rodízio.
Valeu Boi – O boi foi válido e os pontos são computados para o final.
Arrocha o Nó – Não abrir a mão no momento em que for derrubar o boi.
Zero – O boi não foi válido para a contagem de pontos.
Ficou no meio – O vaqueiro cai do cavalo no meio da faixa.

Para acompanhar os campeonatos e o ranking das vaquejadas, acompanhe o Portal Vaquejada (http://www.portalvaquejada.com.br/)

 

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