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Livro resgata tradição das Comitivas Pantaneiras

Country Life
09.01.2015

A rotina do homem pantaneiro está descrita no recém-lançado livro da jornalista Débora Alves “Viagem a bordo das comitivas pantaneiras”.  Débora passou doze dias viajando com a Comitiva Nova Esperança para tentar retratar com o máximo de fidelidade o dia a dia do homem pantaneiro, que de tempos em tempos transportam centenas de cabeças de gado pela maior planície alagada do mundo.

O livro traz muitas histórias e fotos exclusivas tiradas pela própria jornalista. Débora dormiu em rede, tomou água de rio, sem falar das chuvas e do sol forte, que se alternava constantemente durante os dias de viagens. A autora também dedica um capítulo à Comitiva Bagual, um tipo especializado de comitiva destinada a recolher, em grandes invernadas, o gado xucro, arredio que se perdeu da boiada ou que nasceu longe e foi criado solto por muito tempo sem manejo.

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O lado exaustivo das comitivas também foi relatado, já que a jornada de trabalho dos peões pantaneiros naturalmente pode ultrapassar dez horas por dia. “Eles dependem da luz do sol, acordam por volta das 4h30 da manhã, tomam café, buscam a tropa, arrumam as tralhas e seguem viagem com o gado. A pausa para o almoço dura uma hora e já tem que seguir a marcha, porque os animais precisam ser recolhidos no mangueiro ou em local seguro antes do anoitecer”, diz a jornalista.

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Quando estão fazendo o transporte do gado – em média 1200 cabeças – não é possível folga durante a semana, e nem mesmo de feriados, eles chegam a ficar de dois a três meses seguidos na estrada. Essas particularidades do mundo pantaneiro e as encantadoras paisagens do Pantanal estão presentes na obra. “Quando propus acompanhar uma comitiva, teve gente que não acreditou que eu iria aguentar a rotina dura, sem o conforto de casa, além disso, sendo a única mulher da comitiva, em meio a sete peões. Mas o Pantanal sempre me fascinou. Não pensei, em nenhum momento, em desistir e hoje posso dizer que foi uma das experiências mais importantes da minha vida”, relata.

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Além da paisagem e a biodiversidade do Pantanal, o livro aborda a relação do homem com o meio através do trabalho, uma forma de conhecer o modo de vida do homem pantaneiro,  mostrando o aspecto histórico e cultural de um método em extinção.

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O aprendizado, que vem da lida do campo também é passado de pai para filho, e ensina esses homens coisas simples, que podem salvar vidas. “Umas passagens curiosas foi em relação à água. Fomos em uma época de muita seca e bebíamos água de açude. O tereré servia para filtrar essa água”, disse.

A obra foi tese de mestrado da autora e virou livro-reportagem por meio do Fundo de Investimentos Culturais (FIC), da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS).

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O livro custa R$ 20.00 e pode ser solicitado por meio da página do Facebook “Viagem a bordo das comitivas pantaneiras” .

No dia 11 de janeiro, o lançamento foi em Fortaleza, no Clube da Caixa – Av. Frei Cirilo, 4700, Bairro Messejana.

Confira mais fotos: 

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